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Aumento da dengue: como entender o momento, reconhecer os sinais e agir com prevenção

A dengue voltou a fazer parte da rotina de muitos brasileiros. Não é apenas um aumento pontual de casos, mas um crescimento que reflete mudanças no ambiente, no comportamento do mosquito e na forma como vivemos nas cidades.

Quando o assunto aparece no noticiário, é comum surgirem dúvidas:

  • Como a dengue está se espalhando tão rápido?
  • Como diferenciar sintomas comuns dos sinais de alerta?
  • O que realmente funciona para evitar o mosquito?

Este guia foi pensado exatamente para isso. Ele reúne informações confiáveis, explicadas de forma simples, para ajudar você e sua família a navegar por este momento com mais segurança e clareza.

1. O cenário atual: por que a dengue está aumentando

A dengue não é novidade no Brasil, mas o que vemos hoje é resultado de uma combinação de fatores que favorecem a expansão do mosquito e a circulação do vírus.

Clima e ambiente favoráveis ao mosquito

O Aedes aegypti se multiplica com mais facilidade em condições de calor e umidade. Nos últimos anos, períodos de chuva alternados com calor intenso criaram muitos ambientes propícios para a reprodução do mosquito. Pequenas quantidades de água parada, que às vezes passam despercebidas, já são suficientes para completar o ciclo.

Maior circulação de sorotipos do vírus

A dengue possui quatro sorotipos. Em momentos em que vários deles circulam ao mesmo tempo, aumenta tanto a chance de transmissão quanto a possibilidade de reinfecção, o que ajuda a explicar o volume de casos em diferentes regiões do país.

Expansão urbana e saneamento irregular

O aumento de áreas pavimentadas, a concentração de resíduos e problemas estruturais de drenagem criam criadouros que se multiplicam facilmente. É um desafio que envolve bairros inteiros e exige atenção contínua da população.

A soma desses fatores explica por que os números recentes chamam tanta atenção. Mas entender o cenário também ajuda a agir de forma consciente na prevenção.

2. Como reconhecer a dengue: sinais iniciais e sinais de alerta

Com a expansão dos casos, é importante saber identificar os sinais mais comuns e perceber quando o corpo pede avaliação médica.

O início: sintomas que merecem atenção

Os primeiros sintomas da dengue costumam aparecer entre dois e dez dias após a picada do mosquito. Entre os sinais mais frequentes estão:

  • Febre alta de início repentino
  • Dor no corpo
  • Dor atrás dos olhos
  • Dor de cabeça
  • Cansaço intenso
  • Náuseas
  • Manchas leves na pele em algumas pessoas

Esse conjunto de sintomas pode se parecer com outras viroses, por isso o contexto importa. Em períodos de maior transmissão, qualquer quadro febril acompanhado desses sinais deve ser observado com cuidado.

O momento crítico: quando a febre diminui

Um ponto importante é que a fase de maior atenção pode ocorrer justamente quando a febre começa a baixar. É nessa transição que algumas pessoas podem apresentar sinais que exigem avaliação imediata.

Entre eles:

  • Dor abdominal contínua
  • Vômitos repetidos
  • Sangramentos na gengiva, nariz ou fezes
  • Tontura intensa
  • Sonolência marcante ou agitação incomum
  • Fraqueza extrema

Esses sinais não são de acompanhamento domiciliar. Eles precisam de atendimento médico rápido.

3. Prevenção na prática: do cuidado com o ambiente à proteção individual

Quando falamos de prevenção, muita gente imagina ações complexas ou grandes intervenções públicas. Mas a verdade é que grande parte do combate à dengue acontece dentro de casa e no entorno imediato.

Eliminação de criadouros: o passo mais importante

O mosquito só precisa de pequenas quantidades de água parada para se reproduzir. Por isso, o hábito semanal de revisar a casa faz enorme diferença. Alguns pontos importantes incluem:

  • Verificar calhas e ralos
  • Lavar recipientes que acumulam água
  • Tampar caixas d’água
  • Colocar areia nos pratinhos de plantas
  • Descartar corretamente objetos que acumulam água

Uma vistoria simples, feita com constância, reduz significativamente o risco de transmissão.

Proteção pessoal

Além do ambiente, pequenas práticas ajudam a reduzir o risco de picadas:

  • Usar repelente conforme orientação
  • Instalar telas em janelas
  • Preferir roupas que cubram braços e pernas em horários de maior atividade do mosquito
  • Usar mosquiteiro, especialmente para crianças e idosos

Esses cuidados não substituem a eliminação de criadouros, mas são complementares e muito úteis no dia a dia.

Vacina: uma camada adicional de proteção

A vacina Qdenga está aprovada no Brasil para pessoas de 4 a 60 anos e, no SUS, é oferecida inicialmente para faixas etárias específicas, dependendo da região. A vacinação adiciona proteção, mas não dispensa os cuidados ambientais, porque o mosquito continua presente e pode transmitir outros sorotipos.

É sempre indicado verificar se há disponibilidade na sua cidade e conversar com um profissional de saúde sobre a melhor decisão para cada caso.

4. Quando procurar ajuda: entendendo o momento certo

Buscar atendimento no tempo adequado evita complicações e traz mais segurança ao processo de recuperação.

Quando vale consultar um serviço de saúde

  • Febre alta acompanhada de mal-estar
  • Sintomas persistentes por mais de dois dias
  • Febre em gestantes, idosos ou crianças pequenas
  • Sinais iniciais aliados ao aumento de casos na região

Quando a ida ao hospital deve ser imediata

  • Dor abdominal forte e contínua
  • Vômitos repetidos
  • Sangramentos
  • Tontura extrema ou desmaios
  • Sonolência excessiva ou irritação intensa
  • Fraqueza acentuada

Esses sinais não devem ser observados em casa. Eles indicam que o corpo precisa de avaliação e conduta médica o quanto antes.

Fontes

  • Ministério da Saúde
    Informações sobre sintomas, sinais de alerta, prevenção, dados epidemiológicos e manejo da dengue.
  • Organização Pan-Americana da Saúde
    Relatórios sobre circulação dos sorotipos e aumento dos casos nas Américas.
  • Fiocruz
    Materiais educativos sobre eliminação de criadouros, hábitos de prevenção e orientações comunitárias.
  • Instituto Butantan
    Conteúdos sobre cenário epidemiológico, prevenção e orientações gerais sobre dengue.

Informações sobre a vacina Qdenga
Ministério da Saúde, Agência Brasil, notas técnicas e comunicados oficiais sobre esquema vacinal e indicação.

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